quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

(DES) Informação


O “povo” sempre se quis estúpido. Quanto menos acesso à informação, à cultura, ao conhecimento tivesse, melhor. Durante séculos, grupos de “sábios”, impediram as pessoas de estudar, aprender, de se tornarem mais cultos. Que melhor modo existe para ter a plebe sob o seu domínio?

Por exemplo, a Santa Inquisição era a dona e senhora. Só o clero tinha acesso ao conhecimento. Vedava tudo o que fosse informação ao cidadão comum. Sem este conhecimento, o povo mantinha-se sob o jugo daqueles que sabiam ler. E assim se vivia nos tempos escuros do obscurantismo.


Depois veio o Renascimento. A luz do conhecimento chegava a mais pessoas. Já sabiam ler e, por isso, o saber abria novos horizontes. Contudo, a informação ficava, mais uma vez, sob a alçada daqueles que dominavam as letras, as ciências... e, novamente, a “arraia-miúda” curvava-se àqueles que tudo sabiam.

Ainda hoje é assim. Os “ Srs. Drs,” que tudo sabem, usam e abusam desse poder.

Exemplificando:

Sempre que alguém vai ao médico, depara-se com mil e uma maneiras de ficar sem perceber nada de nada.
Ou seja, os relatórios escritos pelos “doutos” são imperceptíveis: chamam-lhes “letra de médico”; quando lhes perguntamos algo, saem-se com um chorrilho de palavrões que ninguém entende; se lhes pedimos que nos explique o que raio acabou de dizer, perguntam-nos para que é que queremos saber ; e se insistimos, venha de lá a explicação mais absurda que se conseguirem lembrar (afinal, há que utilizar palavras simples para que a “populaça” continue estúpida)...

E, outra vez, o “povo” fica na ignorância, continuando assim, de necessitar recorrer ao “Sr. Dr.” Para saber o pouco que eles se permitem decifrar.

Na nossa legislação, existe uma alínea (algures) que diz que não podemos alegar desconhecimento da lei. Ou seja, se fizermos algo ilegal, por falta de conhecimento, não podemos alegar que não sabíamos. Temos a obrigação de conhecer a lei, sob pena de cometer alguma ilegalidade e, mais tarde, pagar por isso.


Mas, no que diz respeito à medicina, não. Vedam-nos, totalmente, a informação. E, ai de alguém demonstrar que sabe o que o “Sr. Dr.” está para ali a anunciar! Porque corre o risco do "Sr. Dr."
ficar aborrecido! Mas é raro alguém saber o que eles estão para ali a falar. Os livros de medicina são tão dispendiosos, que se torna difícil, para o cidadão comum, ter acesso a eles.

Felizmente, alguém farto desta situação, inventou a Internet. Agora, todos nós (o “Zé Povinho”) podemos descobrir o que, aquele palavrão indecifrável que o “Sr. Dr.” proferiu, significa. Por isso, sempre que aprendo uma palavra nova, lá vou eu “ligar-me” à net...


E foi assim, que eu, sem me aperceber, despoletei toda a ira da minha médica de família.
Pois é. Tudo tem o seu preço. O Saber para a “Sra. Dra.”, é mau. E depressa vim a descobrir isso mesmo. Quando ela se dirigiu ao meu pai, dizendo-lhe que ele tinha “bicos de papagaio” eu, inocentemente (ou não!) anui que já tinha reparado nas artroses da sua coluna. Se a Maga Patalógica estivesse à minha frente, naquela hora, eu tinha virado estátua de gelo! Não é que ela ficou possessa? Adorei!!! E continuei. Sempre que chamava “os bois pelos nomes”, ela ficava mais furiosa. Eh, eh...

Agora, que sei o que significa “Espondilite Anquilosante”, vamos ter mais uma luta entre a néscia da “Sra. Dra.” e eu. Vai ser fenomenal!
Esperemos pela semana que vem, depois do dia vinte de Outubro. Neste dia, irei ao médico do IPR. e, a seguir, marcarei a consulta para a minha médica de família.

Esperemos, ansiosos, pelos próximos episódios...


***

Escrevi este texto no dia 15 de Outubro de 2006, no meu diário... desde essa altura, muita coisa se passou. Neste dia, ainda não tinha bem presente a gravidade da situação. Quando a ANEA me explicou um pouco melhor o que a EA era...

A minha médica de família, quando viu os meus exames disse-me, somente, que eu deveria ter muitas dores, sim, porque tinha o "pescoço rígido". Nem mais nem menos... e eu, desisti de entrar em lutas com ela.

Eu desisti da minha carreira porque já não conseguia fazer o meu trabalho com a perfeição e entrega que ele exige. Será pedir muito a estes detentores de canudos que façam o mesmo?

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