segunda-feira, 9 de junho de 2008

Se sorrirmos para a vida, a Vida sorri para nós...

Mais uma semana passou... mais uns metros feitos nesta caminhada a que me propus fazer.

Foram dias extenuantes. Tive manhãs em que mal conseguia colocar os pés no chão, e quando chegava a casa do trabalho, só me apetecia atirar-me para a cama…

Não obstante, este cansaço extremo sentia-o como mais uma vitória. Ontem, enquanto arrumava a casa, não podia deixar de sorrir. Sim, porque depois de mais uma semana de trabalhos forçados – a minha homenagem a todas as mães a tempo inteiro – eu não estava no meio de uma crise daquelas que todos nós sabemos como são.

Sorrir… sim, porque sinto que consegui.

Foi-me colocado obstáculo no meu caminho. Uma parede feita de betão, espessa e alta, muito alta. À primeira vista, impossível de transpor.

Quando me deparei com este muro – completo de dor e de desespero – perdi quase tudo. Até a esperança… a fé.

Agora, só posso sentir uma grande alegria porque, apesar de ter demorado dois anos a perceber que estava na hora de parar de chorar e ir à luta, finalmente acordei desse desalento que me deixava inerte perante a Vida que a EA me estava a tirar – a Viver por mim.

Hoje é domingo. O dia acordou com um sorriso, o qual eu retribui.

Porque a Vida somos nós que a fazemos. Se sorrirmos para a vida, a Vida sorri para nós.

Então, porquê chorar? Mudará alguma coisa? Não. Foi preciso a experiência me ensinar que o desespero, não nos “leva a lugar nenhum”… não é por chorar que a ea desaparece.

Lembro-me de um dia olhar para uma pessoa que, devido a alguma deficiência física, se encontrava numa cadeira de rodas. Um único pensamento: “ao menos ele não tem dores”.

Egoísta! Sim, fui uma egoísta e envergonho-me por isso. A dor não me permitia qualquer outro pensamento. Tornei-me uma pessoa egoísta, triste, amargurada.

Apesar de me sentir, ainda, um tanto "anti-social" - só a ideia de ter de ir a algum lado, onde esteja muita genta, deixa-me ansiosa - toda a minha Visão da Vida mudou. E eu sinto-me agradecida por isso.

Esta doeça ensinou-me tanto... por isso, eu costumo dizer que me sinto grata por ter passado por tudo o que passei. Agradeço à ea por me ter dado a oportunidade de me aperceber que a vida que levava, antes de adoecer, não era vida... limitava-me a viver para estar viva.

"Vive a Vida, não deixes que a vida viva por ti!" - foi a lição que eu tive que aprender...

Por tudo isto que passei – hoje sei, que para mim foi somente uma prova que eu necessitava de prestar - mesmo quando me sinto mais cansada, mesmo quando certos pensamentos insistem em atormentar-me a alma, eu não deixo de sorrir. Mesmo quando choro de dores… choro a sorrir.

Porque sim. Porque eu mereço.

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